AMENÉSIA
Debaixo do mar
há um canto de duas esquinas,
um pranto num manto de quietude
por onde me procuro intranquilo.
Desassossego,
eco lírico entre sereias que já não cantam.
Desencantam
a vastidão negra na distância,
escrita numa unha que me marca a cara.
Por cima do mar
há o ar infinito que brinca na minha mão.
O nome das letras
cai nas areias dos meus olhos.
Movediças
palavras pregadas numa tábua
de narrativas curtas me trazem à tona.
O sol à toa é um ruído titânico,
um colosso roído na minha pequenez.
Satânico céu sem osso desesperante.
A solidão
é uma ilha de vento,
uma saudade de quatro frentes
encalhadas num rio vazado.
Silêncio
é uma catástrofe de vozes caladas.
Iradas lágrimas
que não choro são dilúvio de arestas,
funestas reticências no solo fatigante
da valeta da alma.
O corpo é um morro,
carne onde não morro.
O tempo é um espaço
arrepiado na pele da existência.
O pensamento
é uma falésia que povoa
o xadrez da essência que em mim voa.
Amnésia…
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Poesia :
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Comments
Re: AMENÉSIA
No dilemade uma inquietude sempre é bom esquecer tudo.
Adorei, inigmática poesia sobre o ser a reação de sua mente.
Parabens!!!
Re: AMENÉSIA
Henrique, perdi-me nos teus versos, na sua beleza e profundidade, por momentos a realidade desapareceu, “amnésicamente” do meu pensamento.
...
Por cima do mar
há o ar infinito que brinca na minha mão.
...
O sol à toa é um ruído titânico,
um colosso roído na minha pequenez.
...
A solidão
é uma ilha de vento,
uma saudade de quatro frentes
encalhadas num rio vazado.
Silêncio
é uma catástrofe de vozes caladas.
...
O pensamento
é uma falésia que povoa
o xadrez da essência que em mim voa.
Amnésia…
Favoritíssimo
Abraço
Nuno
Re: AMENÉSIA
Henrique,
Há toda uma cadência vibrante de profundidade que prende até ao fim e aumenta de intensidade.
Beijo
Nanda
Re: AMENÉSIA
"O corpo é um morro,
carne onde não morro.
O tempo é um espaço
arrepiado na pele da existência.
O pensamento
é uma falésia que povoa
o xadrez da essência que em mim voa."
Belos versos Henriques, o teu poema esta todo ele profundo e inteligente atirando o leitor para uma reflexão profunda entre o corpo e a alma...
Sim o corpo é um morro quando se condiciona à carne...
Amen(her)esia, abençoada sejas entre nós todos
Beijinho em ti!
Inês
Re: AMENÉSIA
A solidão
é uma ilha de vento,
uma saudade de quatro frentes
encalhadas num rio vazado.
Silêncio
é uma catástrofe de vozes caladas.
O poema é belíssimo e o significado de solidão e silêncio não está ao alcance de muitos poetas...
só dos melhores, claro.
Mais um grande poema Henrique.
Abraço.
Vitor.
Re: AMENÉSIA
Olha eu aqui matando a saudade de Henrique.
Espero que não tenhas me esquecido...
Adorei este ame-nésia...
Beijos.
Re: AMENÉSIA
Henrique,
Magnífico!
De uma beleza e intensidade infinita nas ondas do Mar das tuas palavras ...
Abraço.
Suzete.