Nem te renego nem me nego

Saberão um dia que não te renego
mas não nego que estou como em tempo de cheias.
Transbordo a irritação para lá das margens
escabelando a voz meiga da cegueira.

Nem sequer tenho escapatória,
as eclusas são demasiado apertadas
e tudo fica neste interior ensimesmado
Um deserto sem areias, nem espaço voador.

Asfixiam-me as notícias poluentes
que matam seletivas células de esperança.
Ainda ontem dizia que era feliz.
Mas como o ser na destemperança do outro!

Ai meu país de oásis benditos semeado.
Tanta cor, tanto odor, tanto amor.
Vejo, cheiro e afogo-me na bebedeira dos sentidos
de em tanta água lodosa mergulhar.

Corre mansa a água do meu rio
e este sol afogueado que o degela
prenuncia um ciclo novo de palavras.
Só não sei em que tempo a história será escrita.

Mas não te renego, país de poetas desconhecidos.
Trairia os versos apaixonados que inspiras.
Na força do vento espero tempestades varredoras
de gente vil! Sim , essa que te atraiçoa!

No fim, será sempre o povo que jurará bandeiras!

OF (Odete Ferreira)
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Sábado, Abril 25, 2015 - 01:08

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Odete Ferreira

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