À míngua

À míngua secam os ribeiros,
melodia de frescos mergulhos
de luas em fase minguante.
Abriram-se fendas misteriosas
nas rochas seculares das frágeis encostas.

À míngua secam os frutos,
paisagem de coloridos alimentos
de nómadas, ventos de liberdade.
Apareceram muros farpeados
nas terras de seus confins usurpadas.

Parecia haver um paraíso,
encantado ao toque de um dedo soporífero.

Foi-se diluindo
nas enxurradas de um destino já exangue
sem direito a Dantas e outros quejandos.

(Fugiu-me o chão onde pisava com firmeza
e a poeira colou-se como vestido…)

Pois, por míngua resta o restolho
e as espigas de milho já não ouvem
as cantigas das raparigas.
Os poemas caem como tordos,
bem se veem na calada madrugada
quando, forçada, abre a claridade.

(À míngua, morre-me o sonho, a poesia,
a criança…E até a saudade!
Sem ela, sou nada…)

Por míngua secam os sacramentos.
Mas é Natal. Suponho. Pelos ornamentos.
Dias minguados para tantas noites escuras…

OF, 18-12-2015
Obra de Natalia Tsarkova (Imagens em http://portate-mal.blogspot.pt/2015/12/a-mingua.html )

Que não seja por míngua de palavras, de gestos e de sorrisos que não construamos, em cada dia, uma fortaleza de esperança. Bem robusta, para que não se esboroe ao menor abalo. Desejo, a cada um de vós, uma ótima quadra natalícia.

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Miércoles, Diciembre 30, 2015 - 21:36

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Odete Ferreira

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