Prisão urbana

Novamente empunho minha caneta para adentrar na batalha das minhas dores do peito.

Rostos misturados flutuam pelas calçadas pisadas
Por passos separados.
Lacunas são preenchidas por olhares vadios
Alargando imagens,
Roubando tudo pra prendê-las na prisão do cérebro.
Sou mais um a caminhar pelas sombras do peito
Em meio à prisão urbana desenhada e sonhada.

Abri meu livro na página que está escrita minha solidão
Amarrada ao mundo que me cerca
E às pessoas que vejo.

Quais calçadas aguardam-me?
Qual acaso me espreita atento?

Árvores gigantes
Pombas sobrevoando
Catedral imponente
Anjos de concreto
Ambulantes
Vozes
A praça é uma ilha da imensa ondulante cidade
De cores múltiplas e sombrias arquiteturas muitas.

Ruas e avenidas são sábios rios que desembocam numa marginal.
Qual oceano de aço e concreto,
Qual testamento edificado,
Pactuado e perpetuado
Deixas para mim?

Pontiagudas arestas alcançam meu coração
E não tenho tempo para sentir dor,
Sendo que até a dor verdadeira é usurpada por suas fantasias
E seus desejos de gigante mimada.

Ó cidade fincada
No osso de cada homem!

Perdemo-nos
No holocausto de suas avenidas...
Sábia dama com máscara feia.

Submited by

Viernes, Agosto 14, 2009 - 21:30

Poesia :

Sin votos aún

Alcantra

Imagen de Alcantra
Desconectado
Título: Membro
Last seen: Hace 11 años 8 semanas
Integró: 04/14/2009
Posts:
Points: 1563

Comentarios

Imagen de Conchinha

Re: Prisão urbana

Um dos meus temas de revolta preferidos - a cidade, essa máquina que nos mantém a girar isolados e vazios.

Muito bem retratado e muito bem escrito.
Parabéns.

É favorito

Imagen de Alcantra

Re: Prisão urbana

Conchinha,

Belo comentário.

Alcantra

Imagen de ÔNIX

Re: Prisão urbana

Esta é a visão de um mundo que nos faz ser, e onde as mudanças acontecem...mas e nós...acontecemos igualmente?

Gostei muito do que li

Bjs

Dolores

Imagen de Alcantra

Re: Prisão urbana

Dolores,

Muito obrigado!

Alcantra.

Imagen de Poetaminas

Re: Prisão urbana

"Abri meu livro na página que está escrita minha solidão
Amarrada ao mundo que me cerca
E às pessoas que vejo."

Dentro da sua solidão, as tristes imagens que faz, são frutos da sua melancolia. Estes sentimentos nos fazem olhar o lado feio da vida. E as praças, as flores, as luzes? beijos

Imagen de Alcantra

Re: Prisão urbana

Poetaminas,

Devoro com vontade e com avidez o seu belo comentário.

Obrigado!

Alcantra

Imagen de Tiger

Re: Prisão urbana

Sendo que até a dor verdadeira é usurpada por suas fantasias
E seus desejos de gigante mimada.

Gostei muito ;-)

Imagen de Alcantra

Re: Prisão urbana

Tiger,

Obrigado por ler e comentar minha poesia.

Alcantra.

Add comment

Inicie sesión para enviar comentarios

other contents of Alcantra

Tema Título Respuestas Lecturas Último envíoordenar por icono Idioma
Ministério da Poesia/General Suspiro dessepultado 0 3.009 11/19/2010 - 18:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Uma página em branco 0 1.739 11/19/2010 - 18:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Tálamo do titilar 0 2.676 11/19/2010 - 18:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Tacto dulcífico 0 2.117 11/19/2010 - 18:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Depois 0 2.636 11/19/2010 - 18:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Palavra que soa e deixa de dizer 0 1.763 11/19/2010 - 18:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Laços da língua 0 2.152 11/19/2010 - 18:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Bocas que sangram 0 2.531 11/19/2010 - 18:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General De viés 0 1.926 11/19/2010 - 18:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Ziguezagueia destino ziguezagueante 0 2.323 11/19/2010 - 18:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General A cama e o sexo 0 2.897 11/19/2010 - 18:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Títulos Quebrados 0 2.256 11/19/2010 - 18:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Os trilhos estão indo... 0 1.927 11/19/2010 - 18:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General As trincas 0 2.260 11/19/2010 - 18:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Nu 0 3.323 11/19/2010 - 18:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Algo 0 2.543 11/19/2010 - 18:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Cabeça na mesa 0 4.105 11/19/2010 - 18:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General O manto e o inverno 0 2.206 11/19/2010 - 18:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General O que é... O que já não é (foram-se as emoções) 0 3.298 11/19/2010 - 18:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Avenidas de mim 0 2.772 11/19/2010 - 18:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General E... 0 2.877 11/19/2010 - 18:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Não sei... Não sou 0 3.707 11/19/2010 - 18:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Desnudo 0 4.160 11/19/2010 - 18:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Mares de mim 0 2.786 11/19/2010 - 18:08 Portuguese
Críticas/Varios Worldartfriends - De volta à poesia 0 2.012 11/19/2010 - 01:47 Portuguese