Volátil

No meio dos montes perdidos na noite
Brilha a cidade noite
Atormentada pelo caos e a desordem.
Serpentes rastejam pela madrugada doentia.
Enquanto isso, novos insetos sobrevoam
Numa circular dança da fétida treva dos magos suburbanos.
Vozes se misturam
Imagens embaralham-se nos outdoors desbotados
Carros expressam ódio com seus faróis mal encarados.

Os intelectuais alcançam a grã-cruz da sabedoria sem desafio.
Há uma mistura de luzes na grande avenida.
Tudo está confuso
A loucura penetra a mente
Palavras são expressadas e não são entendidas
Pelos espectadores comuns.
Os atos são desenfreados:
Vê, escuta e fala,
Mas acorda sempre num mundo triste dos pássaros suicidas.
Vivendo a veracidade do “verdadeiro” adágio.

Ossos estão espalhados pelas ruas
O domingo se perde na falta dos dias
O caos obriga e mata a ordem
O comum perde o sincronismo
O incomum se sincroniza aos acontecimentos.

O terrorista aterroriza o senso comum.
Atentado é a sua única qualidade.
Catastrófico – não explica o grande desastre.

Bombas atômicas brotam da terra,
Já que o clima está favorável ao seu cultivo.

Aviões sem rumo rumam para uma colisão simultânea.

A multidão grita.
A “perda” é esfomeada e carrega tudo
Transportando todos para uma viagem sem volta.

Alguns se entregam
Outros lutam:
Sem fuga, sem esperança...

Só resta o palácio da sabedoria,
Mas o tempo é volátil.

Submited by

Lunes, Noviembre 16, 2009 - 17:22

Poesia :

Sin votos aún

FranciscoEspurio

Imagen de FranciscoEspurio
Desconectado
Título: Membro
Last seen: Hace 15 años 21 semanas
Integró: 11/08/2009
Posts:
Points: 450

Comentarios

Imagen de jopeman

Re: Volátil

Excelente intervenção

O caos e a desordem de uma Era que exaspera por salvação, "Alguns se entregam Outros lutam: Sem fuga, sem esperança...

Mas o tempo é volátil."... Resta-nos o tal palácio

Adorei

Abraço

Imagen de RobertoEstevesdaFonseca

Re: Volátil

A era dos "des-", que dá "des-sentido" ao que tinha "sentido".
É a Pós-modernidade des-constituindo.

Gostei muito deste poema.

Parabéns.
Abraço,
RER

Imagen de Anita

Re: Volátil

FranciscoEspurio,

A contemporaneidade e a eterna solidão. A perda de valores e a impossibilidade de resgate. E justamente por isso, os domingos se perdem na falta dos dias.

Cumprimentos,

Anita

Imagen de MarneDulinski

Re: Volátil

Alguns se entregam
Outros lutam:
Sem fuga, sem esperança...

Só resta o palácio da sabedoria,
Mas o tempo é volátil.

LINDO POEMA, GOSTEI IMENSO!
MarneDulinski

Add comment

Inicie sesión para enviar comentarios

other contents of FranciscoEspurio

Tema Título Respuestas Lecturas Último envíoordenar por icono Idioma
Ministério da Poesia/General Intrínseca 0 969 11/19/2010 - 19:09 Portuguese
Ministério da Poesia/Desilusión Poema de um suicida 0 1.304 11/19/2010 - 19:09 Portuguese
Ministério da Poesia/Meditación O plantador de sonhos 0 962 11/19/2010 - 19:09 Portuguese
Ministério da Poesia/Amor Dimensão Poética 0 1.038 11/19/2010 - 19:09 Portuguese
Ministério da Poesia/General Cortejo Fúnebre 0 1.034 11/19/2010 - 19:09 Portuguese
Ministério da Poesia/General Olhares 0 940 11/19/2010 - 19:09 Portuguese
Ministério da Poesia/General A espera da morte 0 1.252 11/19/2010 - 19:09 Portuguese
Ministério da Poesia/Meditación Asas da liberdade 0 1.351 11/19/2010 - 19:09 Portuguese
Ministério da Poesia/Erótico Poema impróprio 0 1.475 11/19/2010 - 19:09 Portuguese
Ministério da Poesia/Meditación O reflexo da fome 0 1.588 11/19/2010 - 19:09 Portuguese
Ministério da Poesia/General Febril querer do poeta 0 1.112 11/19/2010 - 19:09 Portuguese
Ministério da Poesia/General Meu Mundo Egípcio 0 1.608 11/19/2010 - 19:09 Portuguese
Ministério da Poesia/General O brilho dos sinos 0 1.025 11/19/2010 - 19:09 Portuguese
Ministério da Poesia/General O lado negro da lua 0 1.306 11/19/2010 - 19:09 Portuguese
Ministério da Poesia/General Lisérgico Sexo Decadente 0 1.011 11/19/2010 - 19:09 Portuguese
Ministério da Poesia/General Arquiteto supremo 0 1.077 11/19/2010 - 19:09 Portuguese
Ministério da Poesia/General O Demônio de couro negro 0 1.318 11/19/2010 - 19:09 Portuguese
Ministério da Poesia/General Ana, o nome escrito em vermelho 0 1.636 11/19/2010 - 19:09 Portuguese
Ministério da Poesia/General O negrume da pele na noite 0 1.049 11/19/2010 - 19:09 Portuguese
Ministério da Poesia/General A Bíblia Poética do século XXI 0 1.121 11/19/2010 - 19:09 Portuguese
Ministério da Poesia/Dedicada Mãe espécime 0 946 11/19/2010 - 19:09 Portuguese
Ministério da Poesia/Amor Rosto coberto de Azul 0 1.018 11/19/2010 - 19:09 Portuguese
Ministério da Poesia/General A Morte espera... 0 1.339 11/19/2010 - 19:09 Portuguese
Ministério da Poesia/General Liberte-se 0 1.212 11/19/2010 - 19:09 Portuguese
Ministério da Poesia/General Vertedouro de versos 0 976 11/19/2010 - 19:09 Portuguese