Sem meios tons

A janela era um olho carregado de vontades,
Cuja proporção sublinhava uma lenda há muito esquecida
De tão obscuro óbice do tiro seco na madrugada violentada

Oh máquina anônima das trevas forjadas pelas divindades
Concede-nos uma hora a mais para por em prova o nosso gosto de amar,
A nossa soma em torpores que nos aliviam o fado da vida!
Dai-nos a fórmula da felicidade,
Aplique-nos em nossas grossas veias a anestesia da dor!

Pés pistões seduzidos por bielas pernas,
A carne como lata
O coração como motor
Dos mais pobres e miúdos
No ombro uma face esguelha

Nas ruas correm rios de pernas suculentas enxurradas de copulações
Sobre a mesa um discurso na água dum corpo prós hospedeiros da luz!
O antídoto escorre nos frascos da derrota
Lembranças em pus de feridas abertas

Hospícios com faces de borrachas e peles adormecidas
Com cérebros tentando fugir de pensamentos e de loucuras
Hoje, façamos-nos de vários tons indiferentes a nós

Naqueles dedos os anéis de amores presos e culpados

Submited by

Martes, Diciembre 15, 2009 - 20:32

Ministério da Poesia :

Sin votos aún

Alcantra

Imagen de Alcantra
Desconectado
Título: Membro
Last seen: Hace 11 años 19 semanas
Integró: 04/14/2009
Posts:
Points: 1563

Add comment

Inicie sesión para enviar comentarios

other contents of Alcantra

Tema Título Respuestas Lecturas Último envíoordenar por icono Idioma
Ministério da Poesia/General Suspiro dessepultado 0 3.083 11/19/2010 - 19:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Uma página em branco 0 1.834 11/19/2010 - 19:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Tálamo do titilar 0 2.932 11/19/2010 - 19:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Tacto dulcífico 0 2.204 11/19/2010 - 19:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Depois 0 2.730 11/19/2010 - 19:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Palavra que soa e deixa de dizer 0 1.892 11/19/2010 - 19:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Laços da língua 0 2.302 11/19/2010 - 19:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Bocas que sangram 0 2.653 11/19/2010 - 19:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General De viés 0 2.164 11/19/2010 - 19:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Ziguezagueia destino ziguezagueante 0 2.539 11/19/2010 - 19:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General A cama e o sexo 0 3.062 11/19/2010 - 19:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Títulos Quebrados 0 2.336 11/19/2010 - 19:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Os trilhos estão indo... 0 1.984 11/19/2010 - 19:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General As trincas 0 2.351 11/19/2010 - 19:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Nu 0 3.486 11/19/2010 - 19:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Algo 0 2.755 11/19/2010 - 19:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Cabeça na mesa 0 4.355 11/19/2010 - 19:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General O manto e o inverno 0 2.380 11/19/2010 - 19:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General O que é... O que já não é (foram-se as emoções) 0 3.442 11/19/2010 - 19:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Avenidas de mim 0 3.030 11/19/2010 - 19:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General E... 0 3.047 11/19/2010 - 19:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Não sei... Não sou 0 3.800 11/19/2010 - 19:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Desnudo 0 4.331 11/19/2010 - 19:08 Portuguese
Ministério da Poesia/General Mares de mim 0 3.015 11/19/2010 - 19:08 Portuguese
Críticas/Varios Worldartfriends - De volta à poesia 0 2.140 11/19/2010 - 02:47 Portuguese