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Ganchos

Ganchos

Quebrado encontras-me sem faculdade de letras,
Eu nem cardo a olhar para o nada à espera de tudo
Durante vinte Setembros endémicos donde não estou.
Qual Plutão visto da Terra que o ar de vala devastou,
Qual recalque nauseado para sempre e depois mudo.

Tu ex machina, só que “não” dá-se mais de mãos dadas à cova,
“Mete-te na minha vida”, mas pulso pulsa fraco de diabo no ombro.
Até demasiadas melhores coincidências te alinharem supernova
E a angústia radical explodir no aleatório voltar das aulas no teu ensombro.

Sístole/diástole e cinco minutos são a epígrafe majestosa desses dias eminente.
Linda coisa frágil, a história e a estética de surgires toda à soleira da porta,
De vires comigo minimal em braços que se acercam num terceiro ente.
Andrógino fomos, corpo meio meu que a expectativa aos deuses exorta
Como num realismo mágico de moléculas desintegradas ao pôr-do-sol.

Outubro é quimera de seres o canto receptor de mensagens,
Mera agenda telefónica flores tuas a tocar cravo à beira-rio.
Miragens só, cabeça bonita anti-blues do meu prólogo sombrio.
Dezasseis é ensaiar Manon, última paragem de autocarro sem ti,
Mera migalha cósmica bendito bueiro que em mil minhas levou aqui...
Vi(dr)agens só, princesa defenestradora de todas as janelas fechadas.

Chega chega, bailado lancinante exilado no teu anzol,
O apocalipse do meu nada coreografado no escuro cinema,
A nossa valsa láctea projectada na ontologia em dilema:
“Manon, o labor aeróbico da (in)felicidade partilhada num lençol
Ou, por pusilânime blasfémia, negarmo-nos sine qua non?”

Nós cegos, andamos aporia pelo nocturno fora
Perante o passeio testemunha de chover confissões para ti.
Embora vai, pela empatia torrencial de plantares os astros,
O meu fantasma lacrimal feito beleza do colírio que cai.
Tão cristalino, que me cravas árvores nos poros já no banco álibi.

Meu limoeiro no céu, a cidade despe a alça para nos sentarmos nela
E “era (bom) uma vez” dois bustos estatuados no ombro até à foice.
Mas meu querido parsec, não há Júpiter que nos acrescente a noite,
O nosso filme é uma contagem decrescente ao som do cair das estrelas.
Sopor, vamos que jantar planetas é monumento sem sequela...

Tu ave gestual d’erguê-las, o jardim azul rota e pianissimo pelo parque fora.
Larga o Schopenhauer debaixo da cama e leva-me a episódicos lados nenhuns
Lá onde a Lua jaz à tua escada de distância de beijar ou eclipsar agora.
Amanhã... Porquanto o tempo jamais olvida o relógio no nosso quarto.
Dorme bem no teu berço de escolheres o the end que a sizígia implora.

Tu gravidade, deixas-me aéreo em qualquer chão que não pisas comigo,
Parto a humanidade ao pensar as maneiras que não existem de te tocar.
Hoje içamos um barco espaço adentro e numa limonada fica o limbo preciso:
Ursa Melhor, dou-te a mão do meu casaco pelos teus ganchos esquecidos
Inventar posso que o bolso lembra, constelações com o cheiro do teu sorriso.
Dormimos bem no colo inexorável de esculpir o futuro que nos cursa...

Pantologia, que alguém proclame: “acabou o mundo, começaste tu!”
Mudem a Era Comum, há antes e depois do lar retórico de nem falar
Contigo o banal burocrático do hipermercado tão silente mitologia.
Meu Wagner Total, os gatos que vamos ter na casa em que vamos dizer:
“Teleologia (tu a tornares-me sem fim), amo-te até às larvas que era antes de ti.”

Um dia, velho na horizontal, vou ver o holograma da noite de Manon
E não supor o que poderíamos ter sido sem fitar telescópio algum.
Bonança, no alto da nossa urna sideral, fomos e somos o mesmo caco.
É tarde, veludo celeste, e sopro-te o abajur para o embalo ancestral
Descansa estrela recíproca, o mundo é os teus ganchos no meu casaco.

(26-10-2015)

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segunda-feira, outubro 26, 2015 - 03:13

Poesia :

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Fran Silveira

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