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Diablo Capitulo 3 (Parte 3/3)

Sara Mendoza, a jovem jornalista do canal TVM 4, da televisão independente Mexicana tentava a todo o custo qualquer pormenor sobre a investigação ao incêndio do bar, que porventura lhe tivesse escapado.
Apesar de recentemente ter acabado o estágio de jornalismo, com algum brilhantismo dado que ela tinha o problema de não ser o protótipo de jovem jornalista.
Muito morena, de descendência Maya, Mendoza fôra sempre uma jovem problemática, que havia crescido no bairro limitrofe da Ciudad de Mexico. Além do cabelo de corte irregular, de franja torta, ostentava um corpo mais masculino que feminino, onde mal se notavam as ondulações dos seios, sempre escondidas pelo casaco de cabedal muito largo que usava.
No entanto, pese embora a fraca aparência Mendoza era dona de um raciocinio rápido, de fácil associação de ideias e com uma intuição acima da média. Assim que lhe foi dada a hipótese de rever as edições diárias dos noticiarios, cedo se destacou nas correcções dos mesmos, provocando por vezes algum desconforto em certos colegas, alvos da sua pespicácia.
Mendoza, que se entretinha a morder o cabo de um lápis vermelho, analisou pela décima vez os documentos efotografias que dispunha.Usualmente os crimes ocorridos em solo Mexicano só tinham uma explicação lógica, o Cartel de Droga, ou quando muito, alguns pseudo bando rivais a tentarem segurar ou anexar novas zonas de comércio.Porém desta vez havia algo que a entusiasmava e a cativara e esse algo, acreditava ela, tinha a ver com o modo com que as vitimas foram deixadas.
O desmenbramento selvático não se aplicava a nenhum ritual da máfia mexicana, nem a qualquer fanatismo de alguma seita mais liberal.
Todos os colegas da estação optaram por se limitarem a abordar a noticia, sem sequer se preocuparem muito com o caráter bizarro da situação. Para muitos deles era apenas mais um crime sem nexo em solo Mexicano. Mas para ela, dona e senhora de duas impressionantes caveiras negras tatuadas na omoplata direita e adepta do macabro, aquilo devia significar algo.
Secretamente compilou num pequeno caderno, á laia de memorando os pormenores e aproveitando a hora de almoço estipulada por contrato, guardou rápidamente o caderno na mochila que sempre a acompanhava e aproveitando a ausência de colegas por perto, marcou um numero de telefone que sabia de cor e aguardou:
-Ratito?
-Si?
-Hola, apetece-te almoçar?
-Depende...
-Oh eu pago!
-Ah que favor precisas?
-No Rincon Cubano, á las 13 H?
-Certo.
Desligando a chamada, olhou timidamente em redor e certificando-se que não a escutavam, saiu.
Como estava perto do Hipodramo, Mendoza optou por seguir a pé, abdicando da sua moto. Precisava de pensar um pouco no modo correcto como colocaria a questão a Ratito. Se ele percebesse que ela estava a tentar seguir algo que não tivesse a certeza de ser algum "furo" ele não ligaria ao caso. Porém se ela apresentasse os factos distorcidos, como se nada fosse importante e o caso estivesse fechado, ele iria sismar até a conseguir contradizer. Ratito podia ser um génio de pesquisa e conseguir sacar as mais diversas fontes, mesmo para um miudo de 19 anos, mas raramente fazia algo se soubesse que era suposto fazer. O que o motivava era surpreender, e Mendoza estava disposta a deixar-se surpreender.
Afastado que estava a tentativa de começar o encontro pelo caderno, encolheu os ombros e enquanto percorria a Avenida de Nueva Leon, lembrou-se do isco perfeito.
Sorrindo com vontade, entrou num alfarrabista a meio da avenida e após uma consulta rápida pelas prateleiras esótéricas, descobriu um exemplar de "ar" estranho, abriu-o e demorou dois minutos a ler na diagonal, páginas salteadas ao acao e então pensou " O Isco Perfeito"!
Alguns minutos depois, saiu com o exemplar " Las Negras Questiones De Los Mayas e Su Ancestralidade", abriu o livro novamente ao acaso, procurando um capitulo mórbido e arrancou duas páginas. Não na sua totalidade, mas a meio da página, como se fossem dentadas. Pacientemente guardou o livro na mochila e dirigiu-se ao pequeno restaurante.
Nunca percebera o fascinio que o restaurante Cubano exercia em Ratito, mas o rapaz passava a vida a implorar lá ir.


A bem dizer o Restaurante estava longe de ser um Ex Libris da região e as boas maneiras dos empregados eram inexistentes.
Na Cidade do México, a vontade de servir o cliente era a ultima prioridade deste estabelecimento.
Á medida que entrava Mendoza pensava que jamais uma refeição ali pudesse ser intitulada de refeição romântica, ou um encontro romântico.
Suspirando, entrou e prontamente reconheceu o chapeu dos Lakers vermelho e mais abaixo, o rosto ensonado do jovem amigo.
-Pronto para o pequeno almoço?
-A tua sorte é que moro perto...
-Oh pára, tu adoras este restaurante.
-Sim, mas a esta hora?
-As pessoas decentes almoçam a horas decentes!
-Eu não!
-Precisamente...
O Riso de ironia estalou nos labios arredondados da jovem que sem pretender perder tempo, tirou o livro da mochila e depois de o entregar a Ratito, tirou o caderno abrindo na página que pretendia.
Ratito, colocou apressadamente a atenção dos seus olhosverdes no livro, pousando-o delicadamente no tampo da mesa e antes que o empregado fizesse a mais pequena questão de os atender, abriu-o como quem abre um livro precioso.
Enquanto analisava o livro, Mendoza fazia um esforço para se mostrar tremendamente interessada na sua análise, rezando entre dentes para que ele fosse rápido:
-Onde encontras-te isto?
-Prometes segredo?
-Sim , claro!
-Fanei-o da gaveta de um jornalista obscuro, lá do rabalho. Já o leste?
-Não. Nem conhecia...Mas faltam páginas?
-Não creio, mas algo foi arrancado sim.
-Interessante.
-Que andará ele a ver? Obviamente que não tem o livro para ler?
Sentindo a curiosidade em forma de pedido da amiga, Ratito fechou o livro:
-Não me parece que seja um livro importante. Se o fosse já tinha ouvido falar, mas darei uma vista de olhos.
-Ah , tá bem!- Respondeu a jovem apresentando um ar falsamente desiludido.
Recusando-se a tirar o chapéu, mesmo após o empregado ter a gentileza de tomar nota do pedido, encarou de soslaio a amiga, que parecia entretida a escrever num caderno:
-Que fazes?
-Oh nada demais. A acabar uns apontamentos sobre um crime banal.
-Banal?
-Sim, num bar. O costume.
-Tiroteio?
-Não. Corpos decepados e queimados.
Como um Iman, os olhos dele foram atraidos para o rosto dela. Ratito apresentava uma expressão de puro interesse:
-Como assim?
-Não ouviste nada?
-Sobre?
-Sobre o crime. Na TV?
-Não, não ouvi nem vi.
Em longos trinta e cinco minutos Mendoza explicava os pormenores do crime e tudo sobre ele relacionado, enquanto ratito absorvia todos os detalhes mentalmente. De subito, limpou a boca á manga esquerda da camisa desbotada e sorrindo, desculpou-se por ter de sair, pedindo delicadamente a Mendoza se não se importava de o manter ao corrente do caso:
-Não há qualquer caso Ratito! Foi apenas um crime.
-Amanhã falamos, agora preciso de ir. desculpa!
Vendo-o a sair com o livro enfiado debaixo do braço,Mendoza sorriu a bom sorrir e sabia que em breve, se houvesse qualquer pista, Ratito lhe diria!

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sábado, abril 9, 2011 - 00:46

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