Kiele Aloha

O reflexo desce,
assim, do nada em foguete de desejo, à velocidade de um beijo perdido...
Minha mão presa a alçada de cama em mogno antigo,
é travesseiro espelhado no chão em lamurios e lamentos vagos de pedra de moleiro que já não faz pão...
Bagos de areia que se espalham no corpo como arroz trinca em casamento combinado...
O reflexo esta cansado, tantas vezes foi vulto e foi espera...
Ambicionou ser primavera em deserto, mas os cactos não quiseram saber...
Guardaram a agua e deixaram as flores morrer...
A sede morreu às portas de um oásis qualquer de palmeiras de plástico...
O amor deixou de ser fantástico ontem e renasceu hoje, como todos os dias...
Uma Fénix de cinzas fugidias
em sol de pouca dura,
que perdura mesmo assim...
Porque se calam os melros quando choro,
ou quando coro,
ou quando nem sinto nada e o mundo dentro de mim se acaba de te querer tanto...
No entanto, o mundo não roda ao contrario e a lua continua por pisar...
Não sei deixar de te amar,
não sei, nem tento, lamento...
Não sei prescindir de ti, nunca aprendi...
Não sei... E se algum dia soube... Esqueci...

Inês Dunas
Libris Scripta Est

Submited by

Saturday, December 12, 2009 - 11:06

Poesia :

No votes yet

Librisscriptaest

Librisscriptaest's picture
Offline
Title: Moderador Prosa
Last seen: 12 years 37 weeks ago
Joined: 12/09/2009
Posts:
Points: 2710

Comments

RobertoEstevesdaFonseca's picture

Re: Kiele Aloha

Poema muito bonito.

Gostei de o ler do princípio ao fim.

Parabéns,
um abraço,
REF

MarneDulinski's picture

Re: Kiele Aloha

LINDO POEMA, B E L E Z A PURA!
Meus parabéns,
MarneDulinski

FlaviaAssaife's picture

Re: Kiele Aloha

Librisscriptaest,

Gostei de ler. Destaco:

"Uma Fénix de cinzas fugidias
em sol de pouca dura,
que perdura mesmo assim...
Porque se calam os melros quando choro,
ou quando coro,
ou quando nem sinto nada e o mundo dentro de mim se acaba de te querer tanto..."

Lindos versos....

Add comment

Login to post comments

other contents of Librisscriptaest

Topic Title Replies Views Last Postsort icon Language
Poesia/Sadness Quimeras... 2 6.418 06/27/2012 - 15:00 Portuguese
Poesia/General Presa no transito numa sexta à noite... 2 3.988 04/12/2012 - 16:23 Portuguese
Poesia/Dedicated Santa Apolónia ou Campanhã... 2 3.124 04/06/2012 - 19:28 Portuguese
Prosas/Others Gotas sólidas de gaz... 0 3.206 04/05/2012 - 18:00 Portuguese
Poesia/General Salinas pluviais... 1 3.441 01/26/2012 - 14:29 Portuguese
Prosas/Others Relicário... 0 3.780 01/25/2012 - 12:23 Portuguese
Poesia/General A covardia das nuvens... 0 4.160 01/05/2012 - 19:58 Portuguese
Poesia/Dedicated Arco-Iris... 0 4.497 12/28/2011 - 18:33 Portuguese
Poesia/Love A (O) que sabe o amor? 0 4.157 12/19/2011 - 11:11 Portuguese
Poesia/General Chuva ácida... 1 3.478 12/13/2011 - 01:22 Portuguese
Poesia/General Xeque-Mate... 2 3.696 12/09/2011 - 18:32 Portuguese
Prosas/Others Maré da meia tarde... 0 3.698 12/06/2011 - 00:13 Portuguese
Poesia/Meditation Cair da folha... 4 4.436 12/04/2011 - 23:15 Portuguese
Poesia/Disillusion Cegueira... 0 3.827 11/30/2011 - 15:31 Portuguese
Poesia/General Pedestais... 0 4.024 11/24/2011 - 17:14 Portuguese
Poesia/Dedicated A primeira Primavera... 1 3.955 11/16/2011 - 00:03 Portuguese
Poesia/General Vicissitudes... 2 4.402 11/15/2011 - 23:57 Portuguese
Poesia/General As intermitências da vida... 1 4.329 10/24/2011 - 21:09 Portuguese
Poesia/Dedicated O silêncio é de ouro... 4 3.261 10/20/2011 - 15:56 Portuguese
Poesia/General As 4 estações de Vivaldi... 4 4.588 10/11/2011 - 11:24 Portuguese
Poesia/General Contrações (In)voluntárias... 0 3.928 10/03/2011 - 18:10 Portuguese
Poesia/General Adeus o que é de Deus... 0 3.867 09/27/2011 - 07:56 Portuguese
Poesia/General Limite 2 5.347 09/22/2011 - 21:32 Portuguese
Poesia/General Quem nunca fomos... 0 4.368 09/15/2011 - 08:33 Portuguese
Poesia/General Antes da palavra... 1 4.952 09/08/2011 - 18:27 Portuguese