Só, sem chance
No transparente canto do prato caroços de azeitonas enamoram-se e num despejar de chuva com trovões gritando ao longe nas piscadelas das nuvens matreiras, há uma Andrômeda furiosa gesticulando raiva. O pai do moço ainda seco e enrugado blasfemou tonto torto turvo pior que os estouros das flatulentas descargas atmosféricas... Não criem o caos que sou causo de tudo que ainda chuta e soca o que cospes co... O rio veio o osso caiu a barba molhou, duro ali ficou com a frase quase por completa, com o pensamento já feito. Mas na traição da Atena o pobre mais que engatinhou, aterrissando nos braços da rua que sem sentimento de dó não cuida.
Seco são os sangues com veias e silenciosos são os corações que não palpitam. O asfalto feito de sepultura consumiu a figura levando-o ao cume de suas lamentações.
Caroços não são como defuntos, defuntos assustam, azeitona que dá cria aos caroços e em suas mortes não põe medo algum.
Submited by
Prosas :
- Login to post comments
- 1751 reads
Add comment
other contents of Alcantra
| Topic | Title | Replies | Views |
Last Post |
Language | |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Ministério da Poesia/General | Ode ao ego | 0 | 4.449 | 11/19/2010 - 18:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Selo de poesia | 0 | 1.980 | 11/19/2010 - 18:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Lua do Sul | 0 | 1.953 | 11/19/2010 - 18:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Piso espelho | 0 | 1.619 | 11/19/2010 - 18:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Captura | 0 | 2.726 | 11/19/2010 - 18:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Lábios às costas | 0 | 1.776 | 11/19/2010 - 18:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Tume(facto) | 0 | 2.285 | 11/19/2010 - 18:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Brilhância do meio dia | 0 | 2.841 | 11/19/2010 - 18:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Emulação da candura | 0 | 2.637 | 11/19/2010 - 18:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Outro | 0 | 3.592 | 11/19/2010 - 18:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Dor de rapariga | 0 | 2.235 | 11/19/2010 - 18:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Rubra Janela da tarde | 0 | 1.521 | 11/19/2010 - 18:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Chão em chamas | 0 | 3.014 | 11/19/2010 - 18:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Água Purpurina | 0 | 2.300 | 11/19/2010 - 18:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Num bar | 0 | 2.162 | 11/19/2010 - 18:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Seta esquiva | 0 | 3.232 | 11/19/2010 - 18:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Uma noite na morte | 0 | 2.231 | 11/19/2010 - 18:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Fios cerebrais | 0 | 1.918 | 11/19/2010 - 18:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Sem meios tons | 0 | 3.166 | 11/19/2010 - 18:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Rios do norte | 0 | 2.042 | 11/19/2010 - 18:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Vírgula et cetera | 0 | 1.916 | 11/19/2010 - 18:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Novo eco | 0 | 3.074 | 11/19/2010 - 18:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Pés em fuga | 0 | 2.015 | 11/19/2010 - 18:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Impressões | 0 | 1.524 | 11/19/2010 - 18:08 | Portuguese | |
| Ministério da Poesia/General | Ossos nossos | 0 | 2.678 | 11/19/2010 - 18:08 | Portuguese |






Comments
Re: Só, sem chance
Que o asfalto do tempo não traga lamentações...
E caroços de azeitona germinem sob forma de vida, espantando defuntos...
Abraço.
Vitor.
Re: Só, sem chance
Caroços não são como defuntos, defuntos assustam, azeitona que dá cria aos caroços e em suas mortes não põe medo algum.
Olá Adriano,
Um texto para pensar, e repensar a vida que está por detrás das sombras que criamos, indo de encontro á vida.
Gostai da analogia que criou através das oliveiras e por sua vez a azeitonas, sagrando a vida
beijo
Matilde D'Ônix
Re: Só, sem chance
Como sentir o inanimado amor no meio do caos...
Que laços ebrios cospem caroços de vida indiferente, marcando o dorso e o espirito de pedaços de vida invisivel...
Grande em tudo!!!
Avante com os braços que a tinta lhe escorre como sangue e como vida!!!
Abraço!