CONCURSOS:
Edite o seu Livro! A corpos editora edita todos os géneros literários. Clique aqui.
Quer editar o seu livro de Poesia? Clique aqui.
Procuram-se modelos para as nossas capas! Clique aqui.
Procuram-se atores e atrizes! Clique aqui.
Aqui onde tu estás
Por vezes, entre um beijo e uma ideia, uma carícia e uma raiva, uma conquista e
uma impotência, entre uma volta à chave e o conduzir na cidade, ficas com a sensação
de que isto é uma tragédia para os que a sentem e uma comédia para os que a pensam.
Somos feitos de carne, mas é-nos pedido que vivamos como se de ferro fôssemos. E,
obedientemente, é exactamente isso que fazemos. E sofremos.
Posso estar enganado, pois há momentos, momentos mais do que alturas, em que a memória
me falha, mas penso que nunca te falei da minha impaciência para com pregadores, esses seres
que, pondo-se em bicos dos pés ou em cima de caixas de madeira, pretendem publicitar
soluções mirabolantes para a calvície, a menopausa, para a impetuosidade da juventude ou,
pasme-se, para a falta de liquidez nos mercados.
Nunca me foi possível compreender porque é que estas criaturas não percebem uma coisa:
para contar na vida de alguém não é obrigatório que o matemos. Tu és diferente de mim,
tens as tuas recordações, o teu passado; tens os teus sonhos, o teu futuro. Esse casaco que
vestes ser-me-ia grande. Estes sapatos que trago nunca te servirão.
Guardar recordações e sonhos; passado, presente e futuro.
No entanto, há algo que julgo saber sobre os pregadores, são homens e mulheres como tu e
eu, não é surpresa alguma que errem, pois não. Enfim, que lhes seja permitido chegar ao fim
e chamar destino ao tempo que passou ou às asneiras que fizerem.
Tens toda a razão. É muito importante que o digas. Não podemos viver para nós mesmos. Há
muito a ligar-nos, a ti, a mim e a todos os que aqui trabalham.
Fazes-me lembrar aquele nosso amigo que, desesperado, se pôs aos gritos.
"Qual é o sentido da vida!?"
" Vida, vida, vida"
Respondeu-lhe o eco.
A minha está aqui, onde tu estás.
Ou se abre o caminho ou se cava a sepultura. Teremos tempo para não ouvir, não ver, não
tocar, não cheirar, não saborear nada. Não desejo ser o cadáver mais rico do cemitério.
Submited by
Prosas :
- Se logue para poder enviar comentários
- 1438 leituras
Add comment
other contents of José Sousa
Tópico | Título | Respostas | Views |
Last Post![]() |
Língua | |
---|---|---|---|---|---|---|
Prosas/Pensamentos | Flores e punhais | 0 | 1.054 | 07/31/2012 - 22:27 | Português | |
Prosas/Contos | A carga da brigada ligeira | 2 | 1.366 | 07/15/2012 - 11:51 | Português | |
Prosas/Comédia | A víbora | 8 | 1.241 | 07/14/2012 - 19:24 | Português | |
Prosas/Pensamentos | Um pouco de pele | 0 | 871 | 04/10/2012 - 17:52 | Português | |
Prosas/Contos | A caverna dos leões | 0 | 1.096 | 03/08/2012 - 11:59 | Português | |
Prosas/Drama | O bolo | 0 | 1.218 | 01/13/2012 - 19:41 | Português | |
Prosas/Contos | Sal | 0 | 983 | 01/07/2012 - 12:07 | Português | |
Prosas/Comédia | A inquisição espanhola | 2 | 1.059 | 01/04/2012 - 20:55 | Português | |
Prosas/Pensamentos | Aqui onde tu estás | 2 | 1.438 | 12/30/2011 - 11:30 | Português | |
Prosas/Pensamentos | Resistência e rasgo | 2 | 2.057 | 12/29/2011 - 00:08 | Português | |
Prosas/Romance | Lar, doce lar | 0 | 1.493 | 12/25/2011 - 18:15 | Português | |
Prosas/Lembranças | A terra de ninguém | 1 | 1.536 | 11/27/2011 - 19:36 | Português | |
Prosas/Contos | O outro lado da rua é um lugar distante | 0 | 1.251 | 11/17/2011 - 21:48 | Português |
Comentários
Aqui onde estamos
Aqui onde estamos, onde moramos, onde permanecemos, onde vagueamos...Tantas vidas, o dobro - ou mais - em almas...
Que sabem eles, que sabemos nós? Magicamos e impacientamo-nos com juízos de valor produzidos por mente desatentas!
Um discorrer à volta de uma personagem central que bem pode estar metaforizada nos diversos figurantes que pululam à nossa volta.
Louvo a sensibilidade que infiro no que já li de ti.
Bjo, José Sousa
Olá Odete. Bem posto...
Olá Odete. Bem posto... figurantes. A sensibilidade humana ?
Francamente, todos teremos os nossos dias e, se muito
ocupados, noites. Muito obrigado por teres vindo e deixares
um pouco de ti. Um sorriso, um beijo e bom ano.