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Aqui onde tu estás

   Por vezes, entre um beijo e uma ideia, uma carícia e uma raiva, uma conquista e
uma impotência, entre uma volta à chave e o conduzir na cidade, ficas com a sensação
de que isto é uma tragédia para os que a sentem e uma comédia para os que a pensam.
  Somos feitos de carne, mas é-nos pedido que vivamos como se de ferro fôssemos. E,
obedientemente, é exactamente isso que fazemos. E sofremos.
  Posso estar enganado, pois há momentos, momentos mais do que alturas, em que a memória
me falha, mas penso que nunca te falei da minha impaciência para com pregadores, esses seres
que, pondo-se em bicos dos pés ou em cima de caixas de madeira, pretendem publicitar
soluções mirabolantes para a calvície, a menopausa, para a impetuosidade da juventude ou,
pasme-se, para a falta de liquidez nos mercados.
  Nunca me foi possível compreender porque é que estas criaturas não percebem uma coisa:
para contar na vida de alguém não é obrigatório que o matemos. Tu és diferente de mim,
tens as tuas recordações, o teu passado; tens os teus sonhos, o teu futuro. Esse casaco que
vestes ser-me-ia grande. Estes sapatos que trago nunca te servirão.
  Guardar recordações e sonhos; passado, presente e futuro.
  No entanto, há algo que julgo saber sobre os pregadores, são homens e mulheres como tu e
eu, não é surpresa alguma que errem, pois não. Enfim, que lhes seja permitido chegar ao fim
e chamar destino ao tempo que passou ou às asneiras que fizerem.
  Tens toda a razão. É muito importante que o digas. Não podemos viver para nós mesmos. Há
muito a ligar-nos, a ti, a mim e a todos os que aqui trabalham.
  Fazes-me lembrar aquele nosso amigo que, desesperado, se pôs aos gritos.
  "Qual é o sentido da vida!?"
  " Vida, vida, vida"
  Respondeu-lhe o eco.
  A minha está aqui, onde tu estás.
  Ou se abre o caminho ou se cava a sepultura. Teremos tempo para não ouvir, não ver, não
tocar, não cheirar, não saborear nada. Não desejo ser o cadáver mais rico do cemitério.

http://istodeseserhumano.blogspot.com

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quarta-feira, dezembro 28, 2011 - 15:13

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José Sousa

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Comentários

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Aqui onde estamos

Aqui onde estamos, onde moramos, onde permanecemos, onde vagueamos...Tantas vidas, o dobro - ou mais - em almas...

Que sabem eles, que sabemos nós? Magicamos e impacientamo-nos com juízos de valor produzidos por mente desatentas!

Um discorrer à volta de uma personagem central que bem pode estar metaforizada nos diversos figurantes que pululam à nossa volta.

Louvo a sensibilidade que infiro no que já li de ti.

Bjo, José Sousa smiley

imagem de José Sousa

Olá Odete. Bem posto...

Olá Odete. Bem posto... figurantes. A sensibilidade humana ?

Francamente, todos teremos os nossos dias e, se muito

ocupados, noites. Muito obrigado por teres vindo e deixares 

um pouco de ti. Um sorriso, um beijo e bom ano.

 

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