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A bruxa de Manteigas

Maria Efigénia apesar de ser natural do Porto, e após uma certa relutância inicial, tinha seguido o marido até ao Lugar de São Gabriel, em Manteigas, de onde ele era natural, a fim de ele poder acompanhar os últimos dias de vida da sua mãe.
Abandonara o cargo de empregada doméstica, na distinta casa dos Figueiroa, para se empregar na Empresa “Só Fios”, no complexo fabril de São Gabriel e apesar de ter ido contrariada, apaixonara-se rapidamente não só pela beleza do contraste de todo aquele verde no Verão e a imensidão branca no Inverno., bem como pela comunidade que trabalhava naquela fábrica. Era um Mundo à parte, onde existia inclusive uma escola primária, “ para os meus futuros filhos “, pensou ela na altura.
Durante quatro anos ela fora realmente feliz. Apesar da sogra ter falecido em poucos meses, ela desistiu de regressar ao Porto e vivia quase exclusivamente para o seu lar e para o seu marido, repartindo esse fervor, com a sua dedicação à fábrica.
Não sendo propriamente uma mulher social, fazia questão de todos os fins de tarde, se dirigir à pequena capela, perto da escola, para “ falar com Deus”, como confessava a António, sempre que chegava a casa.
Etelvina, era acima de tudo uma mulher trabalhadora, dona de umas “ mãos de fada “, como lhe segredava o marido, sempre que, nos Domingos de Inverno, se sentava à janela, no calor da lareira, tricotando, enquanto via os novelos de neve, que dançam ao sabor do vento, até pousarem serenamente no solo, cobrindo e escondendo a paisagem verdejante que o sol de verão, sempre trazia.
Para os restantes membros da comunidade, Efigénia era uma mulher estranha. Raramente a viam a sorrir, raramente falava mais que uma frase, raramente lhes dava atenção. Nem nos dias de Festas Religiosas, conseguiam que ela sociabilizasse.
Sempre de xaile negro e visual carregado, assustava e constrangia muitas colegas. Mas quanto ao trabalho, nem um dedo a apontar, não só ajudava no que era preciso, como se oferecia para colaborar com outras colegas que estivessem com o trabalho mais atrasado.
Porém subitamente o marido ia piorando, surgiam as faltas dela ao emprego, para lhe prestar os cuidados que necessitava, e aumentava a assiduidade na visita à Capela, onde na impossibilidade de pedir ajuda aos colegas, (porque não queria suscitar pena ou piedade), pedia a coragem e ajuda Divina.
Rezava e rezava para pedir o impossível, mas até ao último momento de vida, do seu António, nunca desistiu de acreditar que ele iria melhorar, que tudo iria voltar à normalidade, que iria conseguir o seu final objectivo: Ser Mãe!
Mas o Destino deixara-a sem poder realizar o seu sonho de maternidade, sem poder voltar a sentir o toque calorento das mãos do seu marido, ou o sorriso dele quando lhe preparava o prato favorito de feijoca.
Etelvina era agora uma mulher calada, soturna e triste. Uma doença, rara e galopante levara-lhe o marido, e deixara-a só, sem família e com quarenta e nove anos, já não guardava grandes expectativas na sua vida.
Vivia agora totalmente para a Fábrica e abandonara as suas visitas à capela, e se antes não era dada ao convívio com a restante comunidade, agora vivia mesmo totalmente isolada.
O que era brio profissional, passou a ser obsessão, e pouco a pouco, o azedume que ela demonstrava, passou a ser motivo de conversa entre os demais habitantes de São Gabriel.
Num fim de tarde cinzento, Garcês o gerente da fábrica “Só Fios” cliente habitual da Jeropiga da tasquinha serrana do Manuel, ponto de encontro das gentes da localidade, acabava de entrar quando subitamente se apercebeu de uma conversa entre dois homens, sentados perto dele:
-Pois é o que te digo. A minha mulher trabalha com ela. Ela disse-me que aquilo é uma mulher esquisita.
-Não acho que seja!
-Sim. Claro que é. Eu moro a cem metros dela, que diabo. Eu bem a via, a ir todos os dias à capela.
-Eu também soube disso. Mas ia rezar apenas.
-Apenas? Ela queria era despachar o pobre do António.
-Mauro, não deve dizer isso. Nas questões da fé, não nos devemos meter.
-O diabo que não. Bolas Artur, eu tenho olhos. Ela sempre foi uma caladinha, uma desconfiada. Eu ouvia-a muitas vezes, quando cá chegaram a dizer que não pertencia aqui…
-É normal. As pessoas habituam-se.
Vendo que o seu interlocutor lhe oferecia resistência, tentou outra abordagem:
-Muito bem. Digamos então que ela é normal. Que não é quem eu digo que é. Se me disser, uma vez, uma só vez em que ela tenha falado com a sua esposa ou consigo.
-Bem…-Artur meditou um pouco, para de seguida encolher os ombros.
-Ai está! Aquilo não é de quem seja normal. E porque ela deixou de ir à capela? Já não precisa. Ele morreu!
-Bom, mas seja como for, a vida é dela.
-Só me pergunto como ela consegue?
-Consegue?
-Gerir a vida sozinha. Com a renda da casa, a comida e as despesas. Só com um ordenado.
-Talvez seja poupada.
-Ou talvez o marido lhe tenha deixado um bom seguro. Uma boa maquia!
O seu parceiro riu ao de leve e acenando a cabeça, confidenciou:
-Não sei. Mas a verdade é que toda a gente fala dela. Não és o único a achar que ela é estranha.
-Ai não?
-Não. A minha mulher diz que ela agora até reclama.com o barulho dos miúdos, no recreio da escola.
-Mas não tem nexo. Com todo aquele barulho no interior da fábrica, como pode o barulho de brincadeiras de crianças a incomodar.
-Como lhe digo. Ali há gato!
Incomodado com o diálogo e após os dois terem mudado de assunto, Garcês colocou o dinheiro certo em cima do balcão e saiu de rompante do estabelecimento.
Perturbara-lhe imenso saber que a sua empresa era falada e perturbava-o mais saber que a sua funcionária exemplar e dedicada pudesse, um dia, aperceber-se do falatório que circulava na localidade, e decidir sair da localidade.
Na verdade a Fábrica não estava nos seus melhores tempos, e a crise do sector atacava cada vez mais, nestes extensos anos 80.
As encomendas eram cada vez menores, os prazos de pagamento aos credores cada vez mais curtos, e financeiramente a firma apresentava-se cada vez mais fraca.
Perder uma empregada agora, como a Efigénia, que trabalhava a uma velocidade estonteante era sem duvida um mau presságio para ele.
No dia seguinte, sabendo que ela era a primeira a chegar, pontualmente às sete e trinta, esperou que ela entrasse e chamou-a ao seu gabinete.
Mal esperou que ela se sentasse e começou o seu discurso que havia improvisado, enquanto tomava o banho dessa manhã:
-Bom dia Efigénia. Peço desculpa de solicitar a sua presença aqui, mas realmente tenho duas coisinhas para lhe dizer.
Os olhos castanhos dela, fitaram-no intensamente como que estudando-lhe a Alma e após alguns segundos, respondeu:
-Espero que não seja nada relativamente aos casacos. Pois os fechos já estavam com problemas, e tive que os tirar e voltar a coser…
-Não. O trabalho está óptimo. Como, aliás sempre o foi.
-Que bom. – Confidenciou num alívio sincero
-Aliás é precisamente devido ao seu grande profissionalismo que eu resolvi a promover!
-Como? – A expressão de admirada que ele nunca havia presenciado, apanhou-o de surpresa.
-Exactamente. Nada de grandioso claro, que a Fábrica não está assim tão bem. Mas tinha ideia de a colocar na Ala Este, onde pode trabalhar em exclusivo numa nova colecção, sem ter de se preocupar com interrupções.
-Oh, mas isso é uma honra. A Ala Este é quase isolada, mas…eu gosto do meu local.
-Nós transferimos tudo para lá. Ficará na mesma com a sua máquina.
-Oh senhor Garcês, isso é fabuloso.
-Tudo pelo bem da fábrica. Não podemos abrandar agora que a crise espreita.
-Com certeza, patrão. Ansiosa por poder trabalhar no meu novo posto.
Durante os dois dias seguintes Garcês andou radiante, assim como o ambiente na fábrica, mas ele deveria saber que a má-língua sempre arranja novas formas de atacar.
Ao isolar Efigénia do grupo restante, colocou-a como alvo ainda mais fácil da inveja de outras colegas, gerando inevitavelmente um aumento de “histórias” em redor de Efigénia.
Aos poucos e poucos, ela que não era desprovida de ouvidos, começou a aperceber-se de que era dela que falavam e lentamente foi juntando os excertos que ouvia e completando as histórias.
Cada vez mais, vivia só e se refugiava em si mesma. Coleccionava horas e horas seguidas de trabalho, mudava radicalmente os horários de forma a não ter de conviver com as outras, e sempre era a ultima a sair e a primeira a chegar.
O seu grande problema era só um. A Ala Este, ficava bastante perto do recreio da escola, e por mais que ela pretendesse se abstrair os risos e gritos dos miúdos no recreio, lembravam-lhe sempre os filhos que nunca teve. E secretamente isso mexia com ela. Deixava-a angustiada e nervosa, até que nesse final de semana, não aguentou a pressão e a meio da manhã, dirigiu-se ao gabinete de Garcês.
Quando a viu a chegar, tão desnorteada e decidida ele não sabia como reagir. Era a primeira em cinco anos que ela se dirigia a ele, sem que ele a chamasse, que mais que alarmado, ele estava na verdade curioso:
-Em que a posso ajudar, Dona Efigénia?
-Bom, eu vinha-lhe pedir um favor. – Respondeu ela em voz alta
Efigénia estava bem no meio do corredor, perfeitamente ao alcance dos ouvidos das restantes funcionárias, também elas admiradas pela atitude da colega. Curiosamente as máquinas abrandavam o ruído para que a pudessem ouvir melhor:
-Com certeza. Esteja à vontade. Há algo errado com as peças?
-Não. As peças são perfeitas. É que eu me lembrei que o senhor é irmão do Presidente da Câmara, certo?
-Eu? Ah sim, certo. Mas diga o que pretende. – Garcês estava cada vez mais confuso e curioso
-Eu gostava que me marcasse uma reunião com ele. Para lhe pedir para fechar a escola.
-A escola? Receio não estar a entender.
-Não se consegue trabalhar com toda a gritaria daquela canalha.
Garcês ficou completamente baralhado. Diante dele, a senhora de face enrugada, olhar vivo e ardente de raiva, com as mãos nas ancas, a proferir tal barbaridade. Logo a ele que tanto havia lutado para ter a escola, junto à fábrica:
-Dona Efigénia, receio que tal não seja possível. A Escola é parte da nossa comunidade e eu como gerente da fábrica, fui o principal mentor. Esta escola serve toda a nossa comunidade. Já imaginou a contrariedade que seria para as suas colegas?
-Bom se elas educassem bem as crianças, elas não andavam a berrar como índios…
-Está a chamar índio ao meu filho? – Bradou uma senhora forte, levantando-se da máquina de Corte & Cose.
-Se lhe serviu a carapuça!
-Ah grande Bruxa… – E a pesada mulher avançava obstinadamente em direcção a Efigénia
Num ápice, todas as colegas se uniram numa explosão de raiva contida e rapidamente iniciou-se um mini motim no interior da fábrica, com um alarmado gerente a tentar manter a calma, e evitar ser atingido por mãos e unhas.
Vendo que era inútil poder terminar ali a contenda, alcançou a custo o telefone, chamou a Guarda Nacional Republicana e ganhando coragem, subiu para cima da secretária, gritando um sonoro BASTA!
Tão rápido como começou, as mulheres pararam e recuaram. Só Efigénia, com a roupa rasgada e a cara marcada de arranhões, encarou o Gerente e falou:
-Chame a policia, que fui agredida. – E silenciosamente saiu em direcção ao WC
Quando o Jipe da Guarda chegou, os ânimos ainda estavam acessos. Efigénia, que se havia barricado no WC, com receio de mais agressões saiu serenamente e acompanhada pelos Guardas, dirigiu-se ao gabinete de Garcês, que desta vez fechou a porta, isolando-a das colegas.
Tentando recuperar a calma e o tom de voz sereno, o gerente colocou a Guarda ao corrente do que havia passado e após estes terem elaborado o Auto, e ouvido as restantes intervenientes, preparavam-se para conduzir a agredida à esquadra, a fim de elaborar a queixa-crime, quando surpresos a viram sentada na máquina, comos e nada fosse.
Garcês percebendo que as coisas já estavam complicadas que chegassem, dirigiu-se a Efigénia e procurando evitar o olhar dela, proferiu:
-Efigénia, lamento mas devido a normas do Sindicato, vou ter de ser forçado a abrir um inquérito e a ser forçado a pedir-lhe que se retire por alguns dias, até tudo serenar.
-Não pode ser. Tenho trabalho! – A posse da Funcionária era de provocação
-Sim. Eu sei que tem. Mas devido aos acontecimentos de hoje eu….
-Mande-as a elas. Elas é que começaram! – A atitude impávida e serena dela, começara a tirá-lo do sério.
-Mandarei. Mas neste momento estou a mandá-la a si! E eu sou o gerente e isto é uma ordem. Ou terei de pedir à Guarda que a acompanhe! – Decidido, desligou a ficha da máquina.
Após alguns segundos, ela levantou-se airosamente, meteu a mala ao ombro, caminhou em direcção à Guarda e vendo alguns sorrisos nas caras das colegas, voltou-se para o gerente e proferiu:
-Podem estar certos, que se eu não voltar depressa ao meu posto de trabalho. A fábrica fechará, a escola fechará, tudo isto acabará, até ao meu regresso.
A gargalhada surgiu de repente nas colegas e sentindo-se ainda mais ultrajada, continuou:
-Eu não vou fazer queixa nenhuma. Pois aquela que me atacou, dentro de dias vai sofrer e só com desculpas a mim, não irá morrer!
O rastilho voltou a acender e rapidamente as colegas começaram com ameaças, e a aproximarem-se até que desesperada a pobre senhora saiu a correr para o exterior, com a Guarda a voltar a acalmar as funcionárias.
Algum tempo depois da senhora ter saído, Helena a pesada mulher que agredira a colega, falava com o gerente e a Guarda quando a professora Inês, surgiu nervosa na recepção da Fábrica, gritando pela Helena:
-Helena aconteceu algo terrível!
-Como assim?
-As aulas acabaram há vinte minutos.
-Sim, eu sei que estou atrasada, mas já a ia buscar. Que foi?
-A Ana saiu com os colegas para o pátio como habitualmente.
-Caiu? Magoou-se?
-Não. Quer dizer, não sei. Desapareceu.
-Desapareceu?
-Sim. Desapareceu. Ninguém a viu. Ninguém sabe onde ela está.
O Guarda Simões, o mais velho dos dois Guardas aproximou-se delas e com calma, inquiriu:
-Professora Inês, se não se importa, gostaria que explicasse sucintamente o que se passou.
Atónita pela presença da G.N.R. na fábrica, a professora narrou o melhor que pode:
-Bem, como habitualmente, as aulas terminam um pouco mais cedo que a saída da fábrica. Pelo que é normal os miúdos, estando bom tempo, irem até ao pátio do recreio, brincar. Enquanto não chegam os pais, claro!
-E essa menina foi?
-Sim. Saiu à minha frente.
-Os portões da escola ficam abertos?
-Fechados, mas não à chave. Qualquer um pode sair. Vivemos numa comunidade Fabril. Não costuma haver perigo. Os miúdos cresceram aqui. Conhecem bem isto.
-E já procederam à procura da menina?
-Um grupo saiu agora, enquanto vim avisar a mãe.
-Então, na verdade ela pode estar a brincar num recanto qualquer.
A professora parou por uns segundos meditando, e encarando o guarda Simões, retorquiu:
-Não creio. Ela tem nove anos. Seria a primeira vez que…
Sem aguentar mais a pesada mãe saiu rapidamente em direcção à escola, com as colegas atrás. Num modo profissional, os Guardas arrancaram para o Jipe e juntaram-se ao grupo.
Com os nervos arrasados e vendo-se sozinho, Garcês deixou-se cair pesadamente na cadeira de rodinhas do escritório, acendeu um cigarro e murmurou entre dentes:
-Que Dia!
A noite caía e a menina não aparecia, até que acidentalmente foi descoberto um sapato preto, perto da escola. Helena reconhecendo o sapato, gritou aflita:
-É da Bruxa. Esse sapato é da Bruxa. Ai foi ela que levou a minha Ana!
A pequena comunidade revoltada e alarmada dirigiu-se à casa da bruxa, e apesar dos esforços da Guarda em restabelecer a ordem, arrombaram a porta, mas a casa estava vazia.
Foi mobilizada rapidamente uma Milícia civil que percorreu todos os caminhos numa verdadeira caça a bruxa, enquanto que a Guarda, temendo um linchamento quando a mulher fosse encontrada, solicitou reforços, enquanto emitia um mandato de prisão para Efigénia.
Por cada ronda sem sucesso, pedras eram arremessadas para a casa de Efigénia, pinturas com frases revoltadas eram adicionadas à parede da habitação.
A raiva, o ódio e a violência pairavam no ar, como um barril de pólvora ameaçador, prestes a rebentar, quando quase como por acaso, numa das muitas rondas pelas imediações da escola, o Guarda Simões encontrou caída perto de um dos muitos lavadouros de lãs, a miúda inanimada.
Os bombeiros, que entretanto se haviam reunido ás buscas, prestaram, os primeiros socorros e para descanso da mãe, a rapariga estava apenas desmaiada.
Quando ouviu o relato médico, o Guarda Simões, dirigiu-se furiosamente à mãe da pequena e inquiriu:
-Você sabia que a sua filha tinha destes ataques. Que desmaiava frequentemente, não sabia?
-Sim. Mas nunca pensei…
-Pois não. Não pensou. A miúda acabou de dizer que estava farta de estar quieta na escola e resolveu ir brincar à “macaca”, perto do lavadouro, como aliás regularmente fazia.
-Mas o sapato…
-Apenas um sapato que até pode nem ser dela. A desaparecida é ela, não a sua filha! É essa injustiçada criatura que devíamos estar à procura.
Pela primeira vez em muitos anos, as lágrimas correram nas faces rosadas de Helena, mas já era tarde demais.
Meses depois, o guarda Simões, arquivou o caso do desaparecimento da Bruxa.
Nunca mais ninguém viu Efigénia, e duas semanas depois, Helena caiu na cama adoentada por um vírus estranho, para o qual não havia cura ou diagnóstico.
Lembrando-se da frase da bruxa à saída da fábrica, Helena pediu ao marido para a levar em colo até à capela, onde pediu desculpas e se benzeu por três vezes.
Três semanas depois estava completamente curada, mas a premonição cumpriu-se.
A fábrica não mais recebeu encomendas, nunca se percebeu bem porquê, os despedimentos sucederam-se em flecha. Os habitantes da comunidade iam lentamente abandonando a Comunidade em busca de novo trabalho.
Desesperados, os restantes juntavam-se a Garcês na procura da Bruxa, para que a profecia fosse cumprida, mas em vão.
Dois anos depois a escola e a fábrica encerravam definitivamente, e todo aquele magnifico complexo fabril, do Município de Manteigas, foi abandonado.
Ainda hoje porém, existem ex-funcionários que acendem velas, esperando o retorno e o perdão da Bruxa, para que São Gabriel possa ser novamente um marco Fabril no mapa industrial de Portugal e a casa de Efigénia, continua por estrita ordem da Câmara, vazia e impossível de ser ocupada.
Tudo para que ela um dia volte!

Original em
www.mefistus.skyrock.com

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quarta-feira, março 31, 2010 - 10:12

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Mefistus

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Comentários

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Re: A bruxa de Manteigas

Muito longo, mas gostei.
Apesar de ter gostado mais de te ler em poesia.

Uma realidade essa mulher. Há muitas bruxas que são optimas pessoas, mas na lingua do povo, sabe Deus.

Gostei

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Re: A bruxa de Manteigas

Infelizmente uma realidade presente no nosso dia-a-dia...

Que bela fábula! Parabéns...

Beijinho Mefistus!

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Re: A bruxa de Manteigas

...um conto fantastico..perfeito de se ler e ouvir...como tantas lendas que por ai há...

adorei :-)

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Re: A bruxa de Manteigas

Preso por ter cão e preso por não ter!
A culpa é sempre dos incompreendidos.

Carla

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