Eu quero um Volkswagen
Eu quero um Volkswagen…
Não me tires isso do sonho que sou!
Qualquer coisa amarela, verde, azul-bebé, como os desenhos da escola, que tinham rios e sois e coisas assim que se dizem “coisas”.
Aquilo…um carocha, ruído refrigerado a ar, que solta gomas, pintarolas e rebuçados daqueles às cores que magicam o encarnado em vermelho doce e todas as cores num ronco de tutti-frutti.
Por isso quero, um dos anos sei lá…mesmo sei lá…cinquenta, que são aqueles que nunca se falam, que são os Volkswagen… aqueles, redondinhos que parecem perecer gente que olham ternuras a gasolina.
O Volkswagen, um Volkswagen…
Daqueles que ao domingo, paravam os olhares andores bem no meio da procissão e enfeitavam os Agostos com preces de queijadas na romaria da paróquia.
Um carocha vá…um carocha…
Quando a mãe a muito custo ordenava um barbeiro entre o pão com marmelada e uma bola a transpirar dias quentes nas férias grandes…
Sabem do que falo não é?
Do Volkswagen!
Quero um…talvez de oitenta…quem sabe…talvez!
O Lopes nos olímpicos com um carocha de avanço e o país chorar com vitórias nunca tidas.
O México em nossa casa quando o Carlos Manuel, que não tinha um carocha pôs o país a vibrar numa auto-estrada de sonho com um remate do “meio da rua”…
Um Volkswagen pois…daqueles alemães que não sabiam que o sonho tinha muros em Berlim que não deviam cair.
Ponto.
Hoje nem asneira me sai!
Talvez um carocha…que havia nos carrosséis, na feira popular, na garagem ao meu lado e também no meu padrinho.
Um daqueles desconfortos que encostavam dez vadios á porta do café central a falar não sei do quê.
Dir-me-ão: O passado?
Que seja, desde que seja Volkswagen!
Um com bolas e arcos, bicicletas e triciclos, dos santos populares, com sardinhas a assar e tu no meu olhar com minis iniciais onde eras o máximo…mesmo andando a pé!
Não há conotação…outra vez ponto.
Talvez uma vírgula se imponha neste sonho de criança que saúda os passados sentado no muro da vida…
Quero um Volkswagen.
Não é pedir muito, é coisa para ser barata.
A não ser pelos hipócritas da europeia saudade que desfilam glorias velhas perfumadas na capital…perdão…no capital!
Um Volkswagen.
Com os bêbados da Avenida, com mulheres emancipadas e operários fabris…
Com minhas esperanças passadas, eu quero um Volkswagen sem classes e sem perfis.
Quem sabe as pintarolas com as cores do arco-íris e serpentinas do Entrudo não me deixem acabar…
De ver o fumo nas ruas com carochas semi-nuas com o amor a buzinar…
Eu quero um Volkswagen.
Daqueles redondinhos, que parecem parecer gente e olham… Ternuras a gasolina.
Quero um carocha errante, contigo no baile dançante…
Comigo no balcão, a carburar ao tom das minis!
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Comments
Re: Eu quero um Volkswagen
Mais um excelente poema que encontro no WAF! :-)
Re: Eu quero um Volkswagen
Incomprensível, insensato, e fora de lógica...
Bem vindo às minhas leituras, grande poeta!
Abraços, Robson!