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Harmonia
Cheguei a casa depois de tantos dias longe. Foi um período de lentas descobertas, de viagens, de aventura, de afirmação e sobretudo de fé. A noite embala-me e faz-me acreditar que existe algo mais para além deste plano físico que nos rodeia. Sinto-me a banhar nas mesmas águas de sempre, nos meus medos, na vontade de gritar bem alto, mas os sons ficam presos na garganta. Quero que a vida me dê tempo para reflectir, para estar comigo própria e com mais ninguém, gravando na pedra aquilo que sinto necessitar absolutamente de dizer. Quando me exalto ou peço algum favor num tom mais agitado, toda a gente pensa em remeter-me ao silêncio. Silenciar-me com medicamentos, com comida, com noites passadas em ilusões. No meu coração eu sei o que é real, o que preciso e sobretudo aquilo que não preciso. Sei roubar o tempo ao sono para poder trabalhar ainda mais laboriosamente, tal como as abelhas fazem o mel. Ignoro ameaças, superstições, não estremeço facilmente com filmes de terror nem fico a suspirar por pipocas, quando é altura de os ver. Talvez no final de contas, seja apenas uma rapariga com um emaranhado muito grande de traumas às costas, de figuras metafóricas ainda por encontrar, desejos ainda por revelar. Tenho de criar uma personalidade forte para poder traçar o meu próprio caminho, labutar sempre, acumular tensões e libertá-las continuamente, com doçura e paciência. É nessa verdade que encontro a minha paz, a Natureza é o meu alicerce e inspiração. Não vivo sem o meu espaço, um nicho onde me guardo com pudor dos olhares do mundo, ansiosa mas ciente do meu valor e de que tenho nas minhas mãos o brilho do meu destino. Não sou pessoa de me lamuriar durante muito tempo, de lamber as mesmas feridas e de me queixar continuamente do que está mal na minha vida. Gosto de seguir em frente, de ir corrigindo os erros sem pressas nem demasiadas culpabilizações, consciente das dificuldades, transtornos e paradoxos da existência e da vontade que tenho dentro de mim para os mudar. Não me importo se sou criticada e incompreendida, tenho de alguma maneira de preparar-me para tudo, tornar a minha mente flexível como uma ginasta medalhada, detentora de uma elasticidade e agilidade de movimentos impressionante. Faço todos os exercícios de que me lembro para me impressionar a mim própria, para ser maior do que o meu corpo e perder-me no luar, que testemunha incontáveis segredos e romances de amantes que gravitam em torno da sua luz redentora, com a chama do amor bem ateado dentro de si. Só posso ajudar quando me ajudo a mim própria e a Terra tem de perceber os meus limites. Não posso dar passos maiores que as pernas nem esforçar a voz até não poder sequer murmurar, tenho de agarrar o que parece querer escapar a qualquer segundo, os instantes valiosos e tão frágeis da encarnação do sonho. Alimentar-me do fogo, do riso e sobretudo da coragem. Acreditar que as mulheres corajosas vencem sempre. Fica sempre tanto por dizer, por exprimir e encontrar e no entanto, a minha harmonia plena está em tecer-me de amor, fazer um casaco muito grande e quente com todas as mágoas e feridas que me retalharam e complicaram e gritar ao mundo que não quero mais nada. Apenas ser.
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