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Rainha da Solidão
Permaneço dentro das coisas que conheço, firme e inquieta, recuso-me a continuar na luz tão perturbadora do dia. Assim que a escuridão cai, fecho-me a sete chaves no meu reino familiar, embrulhada pelos meus cheiros e pensamentos favoritos, isolada mas ao mesmo tempo, ainda em contacto com tudo. Acompanhada pelas estações, pelo raiar do Sol e o desejo de me prender ao solo com força, de como uma planta trepadeira ganhar raízes, circular por toda a parte, em momentos que me façam perder o controlo, esquecer-me de mim própria, voar. Sou como uma refém de mil e uma histórias, de fotografias tiradas e ainda por revelar, de estados de alma pelos quais ainda não passei mas que quero recriar como perfeição e mestria. Tornar real o que parece impossível e ir até ao topo do mundo só por acreditar que consigo. O Outono segue, arrastando o seu passo, como um velho cansado, perdido nos embalos da juventude. As folhas desmaiadas e secas caem nos passeios, lembrando a caducidade da vida, que todas as coisas são perenes e limitadas à lei da gravidade; de embater no chão frio quando antes eram habitantes alegres e despreocupadas de uma qualquer árvore da Criação. Porquê tantos medos e inseguranças, tantos males com os quais partilho o leito, que acordam e dormem comigo? Habituo-me a sentir-me assim, com cadeados nos pulsos mas com a liberdade plena no meu coração. Por vezes fico tão exausta que os sons parecem reproduzir-se automaticamente na minha cabeça, que as palavras sobram nos lábios e no papel, fica sempre tanta coisa por dizer! E no entanto, não páro de perseguir a vontade de fazer melhor da próxima vez, desabafar até uma sensação de leveza absoluta se apoderar de mim e como num serviço de lavandaria, lavar imaculadamente toda a tristeza e frustração, levá-la bem para longe da minha consciência, nem que seja apenas por um segundo. Todos queremos sentir que fazemos o que é justo e correcto, eu quero sentir-me purificada em cada articulação que me constitui. Quando a bênção da vida cai sobre mim, deixo de me sentir uma única pessoa, uma tonta a vaguear distraída e louca pelos confins do próprio quarto, as camisas de força rompem-se e o significado mais belo de todas as minhas experiências atinge-me como uma bola dourada ou um par de luvas feitas à medida das minhas mãos. Um sentimento de desapego e posse total invade-me, simultâneo e contraditório, cercada pelos muros do silêncio mas rainha na minha solidão. Um dia sei que vou ascender à verdade, à certeza de que o Céu basta. É o imprescindível.
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