Cidade Terra
I
Onde fica sua casa de força
Para operar esta sua cabeça inútil
E demasiada fraca?
Minhas palavras são balas de fuzil
Com trajetória imperceptível
Buscando o alvo – o seu ouvido.
Matei o seu conhecimento,
Ressuscitei a sua esperança
Que dormia alto,
Na autopista
Rumo aos caminhos tortuosos e indesvendáveis da lua
Numa timidez branca e solitária
Sem forma
Uma tristeza impenetrável – blindada.
Era rápido, mas de tão longe
Tornou-se lento.
A sensibilidade foi operada:
Quando você vacilou, despertou o síncrono
E é quem harmoniza a falta de idéias com a sabedoria.
Tudo bem!
Dance comigo esta dança!
Sem ritmo, sem melodia.
Somos múmias
E estamos tentando nascer,
Mas é cedo.
Que anjo é esse?
Com asas de algodão
Que voa um vôo estático
Iluminado ao redor dos sinos da grande torre,
Nos observa do alto
Com medo de se aproximar...
Assim permaneceu.
II
Nós continuaremos a ler nossos livros,
Até o dia do esquecimento.
Esqueceremos que existimos
Esqueceremos que amamos
Esqueceremos que odiamos
Esqueceremos o caminho
Esqueceremos o que aprendemos.
Tempos:
Está tudo terminado
O nosso inimigo em forma de amigo
Nos enganou
E venceu o jogo.
As rodas seguem sozinhas pela estrada
E nós...
Nós estamos voando baixo,
Impulsionados pelas pontas de nossas botas.
Ao amanhecer entraremos no coração da cidade
Numa noite de energia
Iluminada com luz negra.
Sentamos e somos invadidos por amnésia.
Não lembramos de quem é a culpa.
Por que este som distorce minha mente?
A chuva desceu como cortina
E a platéia foi inundada.
A tempestade se foi
Deixando apenas seus filhos...
Os pingos,
Que morreram...
No asfalto, no ar, na grama fria,
Para depois,
Elevarem-se ao paraíso,
Que também é o inferno.
Numa metamorfose, que acontece quando duas forças
De mesma proporção e velocidade, em sentidos contrários...
Colidem-se.
São ilusões que acontecem de forma real
Porque ainda não aprendemos a enxergar
Com as luzes apagadas.
Estou criando sem saber criar
Querendo não sei o quê.
Uma visão, mas sem ver.
Só sei que a morte...
Chama-se morte
E o grito... É ódio,
Mas também é alegria,
Que “tarde” às vezes não é tarde,
Que o ataque tem seus motivos,
Mas que às vezes é uma ponte suspensa
Sem concreto
Sem vigas
Sem pilastras.
III
Saí do coração da cidade
Só para desenhar o mapa de suas veias
Sou plasma – petróleo
Juntamente com outros tipos sanguíneos
Como o álcool
A droga
O sexo
O amor
A violência.
Tudo isto mantém este monstruoso e imenso corpo
Vivo e anestesiado
Num sono profundo e profano.
Sentimos apenas sua respiração.
Mesmo assim...
Ele cresce,
A cada dia ele cresce
E o drogamos ainda mais
Para que “ele” não acorde
E tome vida própria
Tornando-se incontrolável,
Mais incontrolável do que já é,
Mesmo dormindo alto.
A personalidade dessa criança
Que foi gerada por uma mãe
Velha, feia, enrugada, sem amor,
É sórdida e pecaminosa,
Mas isso
Só para nós que somos vírus
Que contaminamos as idéias dessa pobre criança.
Vejo-as pequenas,
Mas sinto-as imensas.
Células-subestações de pura energia
Com aparatos de engenharia
Para acalmar o seu poder de destruição.
No perímetro estão as armas escuras
Protegidas pelos escudos camuflados
De atmosferas transparentes.
Seus pequenos inimigos
São arrastados pelo seu raio trator
São sugadas suas energias
Sua sabedoria
E cuspidos para fora os restos podres.
Aparentemente é auto-sustentável,
Mas seu domínio é desigual
E usa sua força e o seu poder para sustentação.
O vento lateral não o abala
E para os grandes inimigos uma ofensiva iminente,
A movimentação é certa:
Reúnem suas armas escuras
Que pensam sozinhas
Com suas inteligências artificiais.
Norte, sul, leste, oeste.
Som de quatro pontos
Encontra-se num ponto
Ouvido por todos.
São os mecanismos em movimento
Com suas gigantescas peças
Sincronizadas umas nas outras,
Acopladas.
Este som se estende
É grave e de uma onda estranha
Propaga-se por todas as partes
Invade tudo.
O medo é geral.
A arma está pronta.
Segundos de silêncio
Vem o acionamento
Um tremor
Um susto
Um disparo.
Quem venceu?
Nada mais, nada menos,
Que os vírus da Cidade Terra.
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