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Debruçado sobre a janela

Debruçado sobre a janela, atento na natureza
E na simplicidade com que ela se manifesta em todos os momentos
Com a expressão de que existe, sem esforço, em si mesma
E isto é algo que me encanta quando o consigo realizar

É sonho.
Promessa de viagens ao infinito
Além de nós, além do campo e da visão
A lugares distantes, pontos de encontro
Onde as mentes se abraçam num vácuo absoluto e vagaroso
E encontram a totalidade do universo na universalidade do amor.

Sou permeável como uma nuvem e nada absorvo
Nada me condiciona a forma
Apenas vejo, e aceito a imagem do mundo que vejo
Como se me apresenta, tantas vezes, carregado e denso
Então, sem pensar, dispenso tudo o que vi
Sem me demorar em tempestades
Chovo tudo, com ligeireza, para o chão

A realidade é uma farsa
E o mundo gira e passa pela anarquia dos sentidos
E como o sentimos
Aquilo que aparenta ser
É na verdade, um pouco menos de tudo
E muito mais de nada
Mas é sempre o mesmo, quer a janela esteja meia aberta
Quer esteja, meia janela fechada.

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segunda-feira, março 17, 2014 - 09:47

Poesia :

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nunomarques

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