Poema Final

Poema Final

Ó cores virtuais que jazeis subterrâneas,
_ Fulgurações azuis, vermelhos de hemoptise,
Represados clarões, cromáticas vesânias,
No limbo onde esperais a luz que vos batize,
As pálpebras cerrai, ansiosas não veleis.
Abortos que pendeis as frontes cor de cidra,
Tão graves de cismar, nos bocais dos museus,
E escutando o correr da água na clepsidra,
Vagamente sorris, resignados e ateus,
Cessai de cogitar, o abismo não sondeis.
Gemebundo arrulhar dos sonhos não sonhados,
Que toda a noite errais, doces almas penando,
E as asas lacerais na aresta dos telhados,
E no vento expirais em um queixume brando,
Adormecei. Não suspireis. Não respireis.

Camilo Pessanha

Submited by

Thursday, April 9, 2009 - 21:50

Poesia Consagrada :

No votes yet

CamiloPessanha

CamiloPessanha's picture
Offline
Title: Membro
Last seen: 15 years 9 weeks ago
Joined: 04/09/2009
Posts:
Points: 150

Add comment

Login to post comments

other contents of CamiloPessanha

Topic Title Replies Views Last Postsort icon Language
Fotos/Profile Camilo Pessanha 0 1.225 11/23/2010 - 23:37 Portuguese
Poesia Consagrada/General Final 0 932 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Voz débil que passas 0 893 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Se andava no Jardim 0 1.176 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Singra o navio. Sob a agua clara 0 1.008 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Ó meu coração torna para traz 0 1.033 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Esvelta surge! Vem das aguas, nua 0 1.068 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/Sonnet Desce em folhedos tenros a collina 0 945 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/Sonnet Tatuagens complicadas do meu peito 0 1.318 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Estátua 0 731 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Caminho 0 984 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Interrogação 0 892 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Viola Chinesa 0 956 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Castelo de Óbidos 0 892 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Violoncelo 0 906 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Ao longe os barcos de flores 0 1.051 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Fonógrafo 0 1.061 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General II A Morte, no Pego-Dragão 0 843 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General E eis quanto resta do idílio acabado 0 1.277 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Inscrição 0 909 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Passou o Outono já, já torna o frio... 0 1.009 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Quem poluiu, quem rasgou os meus lençóis de linho 0 967 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Ao meu coração um peso de ferro 0 959 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Chorae arcadas 0 845 11/19/2010 - 15:49 Portuguese
Poesia Consagrada/General Canção da Partida 0 991 11/19/2010 - 15:49 Portuguese