Duo das almas em fuga
Hoje perdi-a…
Esguia pelas ruas do Junho fino no sanguíneo do fim da tarde.
Andei nas horas num tonto ser de procura em portas que não se abriam no meu olhar de abandono e…Perdi-a.
Estava leve como a esperanças e cegou as alamedas no hino da multidão.
O gesto era um rosto liso que me afagava restos do que guardo para sorrir.
Tenho sonhos invisíveis no corpo do teu olhar quando estaco as pernas a ver quem és partir…
E quem és tu…há mil anos que te procuro.
Perdi o roteiro da alma onde estava a rua breve no som seco da despedida.
Minha bandeira é um senão que arca rumos desnortes de não te saber dizer.
Por isto e por tanto de nadas que vivo, soletro gramáticas do teu nome.
Talvez te aprenda em grito quando os nós feitos de peito desatarem a correr a coragem das palavras. Hoje perdi-a…
Mas sei-lhe os cursos límpidos em trejeitos cristalinos imperfeitos como as almas que têm um amor urgente...
As mãos que me puxam á sentinela dos espaços quase juntos que intervalam a simbiose.
Os olhos dados ao ser que esvoaçam perto do longe onde então hoje a perdi.
O limo dos seus cabelos apanhados que se soltam pelo vento do adeus…
Irei sempre ao fim da rua onde vivem esperanças cegas, o teu princípio procurar…
Hoje perdi-te o momento, hoje perdi-te ainda a tempo…
De acontecer para te encontrar.
Somos um duo de almas em fuga.
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Comments
Re: Duo das almas em fuga
Escorrega fugidia, ela, por entre os dedos do poeta no líquido das secreções do que um dia foi o dia em um raio sanguíneo de ocaso que ainda resta na réstia de luz que segura a luminosidade enquanto a noite triste da alma não se evidencia com todo o esplendor e glória que cabe a um céu negro, sem lua, povoado de estrelas mortas. Mas, no fim da rua, sentada em um banco tosco, com uma camisa rota escrita, Avante! Ela fuma o ópio. Pobre esperança, embriagada e desistente de um encontro fáusto com a felicidade. Ela fuma, revira os olhos, olha o céu acreditando ser uma destas super-novas estrelas cintilantes recém paridas de um qualquer buraco negro e assim viaja plena por um futuro indizível e imponderável sustentada pela ausência de luz que envolve todos os planetas e todos os astros. Flutua pelo espaço, espaço vazio, vácuo que existe em corações que negam-se a amar. E assim perde-se em mais uma esquina...
Re: Duo das almas em fuga
Quem sabe sabe...
Mto bom
abraço
Re: Duo das almas em fuga
Lapis-lazuli, foi muito bom o contacto com a tua poesia através deste "Duo Das Almas Em Fuga" um primor de poesia
Abraço