Narciso
Que tudo se consome num vento...
E no interior do esbelto se fascina o hipócrita
Num rodopio de parecer o não falso
Que se admira num espelho e finge ser gente...
É de dentro das entranhas um animal amansado
Em círculos que ensebam a vaidade assassina,
Gira egocêntrico num umbigo fechado
Que sufoca o olhar de uma rosa caída...
Porém belo...
Que ofusca cartazes de um mundo em estreia
Onde caiem os olhares dos pobres de vista,
Nesse invólucro vazio de ténues falares
Que movimenta um enguiço decadente e artista...
Fosse a vida um respirar de arte,
e em silêncio se desse para o admirar
Só a sua presença contundia o universo
Numa excelência de nome a inventar.
Mas é um só que se admira nas águas
Tornando bruma os espaços ao redor
Como uma bolha que o desinfecta da terra
É de dentro das entranhas o admirar de si próprio...
Passou na minha rua e renderam-se as árvores
Os lagos com medo adormeceram em noite
Que a natureza violada por tanta beleza
São edifícios caídos do génio humano.
Pelos campos desliza um torpor de invasão
Que conspurcam a terra de fotossínteses venais
Uma plantação de cidades que se erguem em ponte
Com alamedas de fogo onde gargalham chacais.
Apático, o belo, começa a explodir
É a causa do mundo em atrasos de alma
Como unicórnios afogados em sangue
Que defraudam ás florestas horas de calma.
Mas sempre belo...
E desdenhou da origem como um desvio
A inventar defeitos ao útero do mundo
E cegou serpentes num vómito de deus
Que se encantavam no veneno da sua perfeição.
E no interior do esbelto se fascina o hipócrita,
Prolongado em espelhos de água inquinada
Num escárnio indiferente á dor do embate
Dessa mágoa que sinto no cancro das palavras.
Se soubesses como sofrem a tua beleza
Quem te acha em Invernos e te percebe o algoz
Que te sabe tirano a destruir universos
Com um plátano tumoroso carregado na voz.
Perdido aí dentro dos teus encantares
Não te olhasses a adulterar o que é genuíno e profundo
Não sejas tão belo para matares
O lago de reflexos mais belos...o mundo.
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Comments
Re: Narciso
Belo, poema.
Gostei bastante.
:-)
Re: Narciso
BELÍSSIMO POEMA,GOSTEI!
Não te olhasses a adulterar o que é genuíno e profundo
Não sejas tão belo para matares
O lago de reflexos mais belos...o mundo.
Meus parabéns,
Marne
Re: Narciso
Lindo poema.
Parabéns,
um abraço,
REF