O cancro que tinha um homem

O cancro que tinha um homem!
Reclamava intermitente em ensejos homicidas,
indescritíveis espasmos breves…
Tossia persistente o cancro,
turbulentos exercícios…de revolução em dor!
Sentava-se na poltrona, o homem, desapaixonado
do seu cancro sinónimo de químicos festins terapêuticos,
em cronometro de reincidência…e fim.
Desgrenhado, ás vezes incontáveis cabelos caídos…chorava…
Triste e solitário tumor rodeado de metástase humana e inquieta!
O cancro que tinha um homem…um homem só.
O homem empertigado, passava o dia a escolher ternos que lhe dessem com os sapatos, pretos como urnas.
Tinha-se tornado estranho ao cancro, asqueroso, débil, de membros tentaculares
e pontiagudos, dependurados numa dormência épica…
Sentado em imutabilidade, adormecia a fumar jornais matutinos.
Sem sonhos de amanhã.
Não havia soro de esperança…
Para aquele cancro que tinha um homem…cativo.

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Thursday, February 11, 2010 - 22:16

Poesia :

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Lapis-Lazuli

Lapis-Lazuli's picture
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Comments

RobertoEstevesdaFonseca's picture

Re: O cancro que tinha um homem

Parabéns pelo belo poema.

Gostei.

Um abraço,
Roberto

KeilaPatricia's picture

Re: O cancro que tinha um homem

Muito bom

MarneDulinski's picture

Re: O cancro que tinha um homem

TRISTE POEMA, ONDE RELATAS OS ÚLTIMOS TRISTES DIAS DE UM HOMEM DESENGANADO COM SEU CANCRO E SEM ESPERANÇA...

Marne

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