Compasso a passo e arrasto

Compasso lacónico de pátria
Ejaculado indivíduo, fraquejo…
Já que gerado de fecundo desejo
Tenho anos de abandono e de chuva…
Sou o milhão oculto da fortuna
Circunlóquio moroso da frase
Fado imperecível na letra
Que me fez expressão estendida
Nos abstractos olhos de ver
O mundo germinado do peito
Em inscrições de fome e de vida…
Mistério revelado com voz
No tempo onde me sinto algoz…
Da terra que me foi prometida.
Fanqueiro desta carcaça roída
Que tem óxido na ossatura desgasta
Ando aos poucos de pé
Ao lado de quem se arrasta…
Erro nos tantos dos tantos
Como os outros me erram de outros
Certo só o silencio suspenso
Que não oiço ao mundo dos mortos.
Faísca acendida no mundo
Semente do ser e provir…
Força no arrasto e na alma…
Nunca ser desistir.

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Monday, September 13, 2010 - 01:09

Poesia :

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Lapis-Lazuli

Lapis-Lazuli's picture
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Librisscriptaest's picture

Re: Compasso a passo e arrasto

"Tenho anos de abandono e de chuva…
(...)
O mundo germinado do peito
Em inscrições de fome e de vida…
(...)
Ando aos poucos de pé
Ao lado de quem se arrasta… "

Claro que poderia sublinhar o todo belo q é o teu poema (nunca li nada teu que me desagradasse, a verdade no fundo é mesmo esta!) Mas ainda ssim porque estes versos me deixaram um travo especial na boca e na alma, achei q devia repeti-los para mim!
Ler-te é sempre...
Sempre!
Beijinho em ti!
Inês

carlosaleite's picture

Re: Compasso a passo e arrasto

Gostei imenso amigo :-)

abraço

MargaridaRibeiro's picture

Re: Compasso a passo e arrasto

Desistir para não ser...não.

Coragem para algo...

:-)

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